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Novas variedades de amora são mais produtivas

O programa de melhoramento da amora-preta começou no final da década de 70, tendo por base cultivares e sementes de hibridações, oriundas da Universid


A amora-preta, classificada dentro do grupo das pequenas frutas, é uma fruta agregada, sendo formada por diversas drupéolas (cada uma com sua polpa e semente) e compartilhando um mesmo receptáculo. Este se desprende junto com a fruta, quando ela é colhida, o que, morfologicamente, a diferencia da framboesa, uma vez que na framboesa esta parte permanece na planta e a fruta agregada fica com - por assim dizer - um oco no centro, após colhida.

A amora-preta é de propagação assexuada, ou seja, é propagada por clones obtidos por estaquia, seja aérea ou por estacas de raiz, ou ainda via cultura de tecidos. As sementes, desde que escarificadas para romper o tegumento e permitir a entrada de água, podem germinar. Entretanto, não se deve fazer um plantio comercial desta maneira, pois a variabilidade entre plantas será muito grande e não se conseguirá um padrão de frutas.

Cultivares - No mundo são lançadas anualmente novas cultivares de amora-preta (blackberry). Várias delas são pertencentes a empresas privadas (como é o caso das cultivares de algumas empresas chilenas e americanas) ou são adaptadas a climas frios.

Por estas razões, e também devido ao fato de que este é um cultivo que pode ser lucrativo mesmo em pequenas áreas, a Embrapa Clima Temperado iniciou um programa visando o desenvolvimento de cultivares adaptadas ao Sul do Brasil.

O programa de melhoramento da amora-preta começou no final da década de 70, tendo por base cultivares e sementes de hibridações, oriundas da Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos. Alguns anos depois, foram introduzidos materiais do Uruguai e de Oregon, USA.

Este programa deu origem às seguintes cultivares: Ébano, lançada em 1981; Negrita, em 1983, hoje obsoleta; Tupy e Guarani, ambas lançadas em 1988; Caingangue, em 1992; Xavante, em 2004, e BRS Xingu, em 2015.

Dessas, as cultivares Ébano e Xavante são as únicas sem espinhos nas hastes. Infelizmente, as frutas de ambas têm um sabor predominantemente ácido, além de amargo, que sobressai no final. Por isso, são utilizadas apenas para processamento.

Note-se que, enquanto as plantas da cv. Xavante são de hábito ereto, as plantas da cv. Ébano têm hábito decumbente (rasteiro). Caingangue produz frutas com sabor doce-ácido e com um agradável bouquet. Entretanto, perde em aparência para as frutas produzidas pela cv. Tupy e é menos firme que essas.

A cv. Guarani é altamente produtiva e suas frutas são globosas e de tamanho inferior às demais desse grupo. A cv. Tupy é, seguramente, a mais plantada no Brasil e tem grande destaque em regiões produtoras de inverno ameno em outros países do mundo, notadamente no México.

Suas frutas são levemente alongadas (média de 2,5 cm de comprimento), com bom tamanho, brilho, muito boa aparência geral e uma relação açúcar/acidez superior a 6. Esta cultivar pode facilmente produzir de 2,5 a 03 kg por planta.

Peculiaridades - Todas essas cultivares, com exceção da Ébano, cuja maturação das frutas é tardia, coincidem em período de colheita, com diferenças insignificantes quanto ao seu início. Cumpre destacar que a cv. Ébano produz frutas ácidas e com adstringência. A BRS Xingu, cujas frutas são muito semelhantes às da cv. Tupy, prolonga a colheita por aproximadamente duas semanas em relação à cv. Tupy, e ao longo dos anos, no campo experimental da Embrapa, teve produção superior, com uma média de 800g por planta, àquela da cv. Tupy (plantas espaçadas em 50 cm).

Estas cultivares, com exceção de BRS Xingu, são de domínio público. Mudas da BRS Xingu, por serem protegidas, só estão disponíveis em viveiristas licenciados pela Embrapa.

Para conhecê-los, consulte o site: https://www.embrapa.br/produtos-e-mercado/pessego

Tendência - A tendência atual no mundo não se restringe a buscar cultivares com alta produtividade, mas a obter cultivares com plantas sem espinhos nas hastes, de porte ereto e, em vários programas de melhoramento, também de hábito remontante.

Estas produzem nas hastes primárias, permitindo uma colheita no verão e outra no outono, ou que se opte apenas por uma colheita maior, no outono, portanto, fora da estação usual. A firmeza e conservação pós-colheita são também prioridades.

As frutas devem manter a cor, brilho e textura após colhidas. A reversão de cor, drupéolas que, pretas quando colhidas, voltam à cor vermelha, é um dos defeitos mais graves e até certo ponto, comuns.

No programa brasileiro estes pontos também são importantes, mas talvez o mais importante seja desenvolver cultivares produtoras de frutas com maior relação açúcar/acidez. Como é sabido, o grande mercado brasileiro aprecia frutas doces e, na amora-preta em geral, há uma predominância de acidez. Talvez por isso, o principal destino da produção no Brasil seja para a indústria (fabricação de sucos, geleias, iogurtes, etc.). *  Maria do Carmo Bassols Raseira

PhD em Plant Science, melhorista e pesquisadora da Embrapa Clima Temperado - [email protected]

 

 

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